domingo, 12 de abril de 2020

[ESPECIAL] O Acidente Nuclear de Chernobyl: Contexto Histórico de Vozes de Tchernóbil – Postagem Especial


Por Eric Silva para os blogs Conhecer Tudo e Geographia Mundi

Nota: todos os termos com números entre colchetes [1] possuem uma nota de rodapé sempre no final da postagem, logo após as mídias, prévias, banners ou postagens relacionadas.

Diga-nos o que achou da resenha nos comentários.


Em 26 de abril deste ano, o acidente nuclear de Chernobyl completa 34 anos. Hoje começo uma série especial de artigos sobre o livro Vozes de Tchernóbil, de Svetlana Aleksiévitch (grafado também como Alexijevich ou Alexievich), que documentou uma série de relatos de sobreviventes do acidente e também de seus descendentes. Neste primeiro artigo, como forma de introdução ao tema, trago um resumo do contexto histórico da época falando um pouco das cidades atingidas, da União Soviética no contexto da Guerra Fria e do acidente propriamente dito.

No segundo artigo, trago a resenha crítica do livro de Svetlana, e, no terceiro, uma galeria de imagens da zona de exclusão com citações do livro.

Confiram agora o contexto histórico do acidente.

A época do acidente

Em 1986, o mundo ainda vivia em plena Guerra Fria, um período no qual a ordem mundial se encontrava bipolarizada e as nações divididas em dois blocos: o bloco capitalista, comandado pelos EUA, e outro socialista, encabeçado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS, ou apenas União Soviética). Ambas as nações naquele tempo buscavam demonstrar seu poderio tecnológico e bélico, bem como defender e promover as ideias de seus respectivos modelos sociais e econômicos, em um jogo político que buscavam influenciar diversos países, sobretudo através de ajuda econômica.

Durante a Guerra Fria os conflitos armados se deram de forma indireta, o que não eliminava, porém, a tensão de uma possível guerra entre as duas superpotências. Na época, a forte disputa ideológica empreendida pelas dois píeses, mas principalmente a ameaça de uma guerra atômica entre eles e que provavelmente exterminaria a vida na Terra, contribuíram não apenas para amedrontar todas as nações do mundo como deixavam as populações americana e soviética sempre alertas ao ataque inimigo.

Não é de se surpreender que o primeiro pensamento dos soviéticos, quando se iniciou a movimentação do exército vermelho no local da explosão da central atômica de Chernobyl, fosse a de que o acidente estivesse de alguma forma ligado a uma sabotagem promovida pelos inimigos. Pensamento que só com o tempo foi desfeito.

Localização da República Socialista Soviética da Ucrânia.
Autor: Milenioscuro. Wikimedia Commons.
Localizada na Europa Oriental, na fronteira com a atual Federação Russa, a Ucrânia, assim como muitas outras nações, em 1986, fazia parte da União Soviética como uma de suas repúblicas, uma das mais ricas da URSS. Na época, era chamada de República Socialista Soviética da Ucrânia (em ucraniano: Радянська Соціалістична Республіка Українa)[1] e ali viviam milhões de pessoas (51.706.746 em 1989) tanto nativas como oriundas dos mais diferentes recantos da extensa União Soviética, inclusive da república soviética vizinha, a República Socialista Soviética da Bielorrússia (em bielorrusso: Беларуская Савецкая Сацыялістычная Рэспубліка).

Seria na Ucrânia país, entre as cidades de Pripyat e Chernobyl, mais precisamente a noroeste desta última, onde a usina nuclear de Chernobyl seria construída, a 16 km da fronteira entre a Ucrânia e a Bielorrússia, e a cerca de 110 km de Kiev, a capital da república[2]. Hoje, completamente abandonadas, ambas as cidades são apenas o fantasma do que foram na época.


Chernobyl e Pripyat

Apesar de não terem sido as únicas áreas atingidas pela radiação liberada na explosão do reator 4, Chernobyl e Pripyat são os dois grandes símbolos do acidente.

Na época, Chernobyl era uma pequena e antiga cidade de 14 mil habitantes[3] localizada na província (oblast) de Kiev. O primeiro documento a menciona a cidade data do ano de 1193, no qual o sitio é descrito como um alojamento de caça pertencente ao Kniaz (rei, príncipe) Rostislavich[4].

Restaurante abandonado em Chernobyl.
Autor: Natis. Wikimedia Commons.
Localizada quase na fronteira entre a Ucrânia e Bielorrússia, o município apesar de abrigar a usina nuclear (14,5 km a noroeste da cidade) que, por sinal, levava seu nome, não estava diretamente relacionada a ela e não era a residência de seus trabalhadores. É considerada uma cidade fantasma após toda a sua população ter sido evacuada. Hoje, os poucos residentes chegam ao número de 150 pessoas[5], uma pequena população composta por idosos que retornaram ilegalmente a zona de exclusão após as evacuações realizadas pelas autoridades soviéticas.

Visão da cidade de Pripyat nos tempos atuais. Autor: IAEA Imagebank. Wikimedia Commons.
Por sua vez, fundada em 1970[6], especialmente para abrigar os funcionários da central nuclear e suas famílias, a cidade de Pripyat se tornaria o principal cenário da tragédia.
Pripyat foi construída a 4 km da usina de Chernobyl e possuía a capacidade de abrigar entorno de 50 mil habitantes[7]. Segundo Aleksêi Timofeitchev[8], a cidade era mais uma das quase duas dúzias de “cidades atômicas” que existiam na URSS, tendo sido construída no mesmo ano que a usina por brigadas “superprodutivas”. Afirma também o autor que a cidade era habitada por uma população jovem (média de 26 anos) proveniente de todo o território soviético.

Santiago (s/d)[9] conta que a região era originalmente “um modesto reduto de agricultores”, porém com a chegada da usina, a primeira da Ucrânia, mas que mudaria completamente com a instalação do núcleo urbano. Afirma ainda, que pensada para ser uma cidade-modelo, Pripyat foi “meticulosamente planejada” com uma grande infraestrutura que ia desde “uma ampla rede de atrativos culturais” até “um centro médico, escolas secundárias, escola técnica, mercados e restaurantes” além de diversas pré-escolas, opções para a prática de atividades físicas e outras obras que ainda seriam implantadas. Contudo após o acidente toda a população da cidade teve que ser evacuada e a infraestrutura abandonada.


O acidente e a zona de exclusão

A tampa do reator (escudo biológico superior)
apelidado de "Elena" caída de lado na cratera
de explosão. Sobrepostas estão a posição pré-explosão
dos tanques de vapor, do piso da sala do reator
e das treliças do telhado.
Autor: Tadpolefarm. Wikimedia Commons.
Segundo informações da época, o acidente de Chernobyl ocorreu na madrugada de 26 de abril de 1986, quando os seus operadores realizavam um experimento no reator 4 da usina.

Souza (s/d)[10] explica que o objetivo do experimento realizado naquela noite era observar o comportamento do reator quando este fosse utilizado com níveis baixos de energia. Mais especificamente, Pedrolo (2014)[11] comenta que a intensão era testar se as turbinas do reator “seriam capazes de gerar energia suficiente para manter as bombas do líquido de refrigeração funcionando” em situações de perda de potência “até que o gerador de emergência fosse ativado”.

No processo, afirma Souza (s/d), diversas normas de segurança foram desrespeitadas e um dos principais erros cometidos foi a interrupção da circulação do sistema hidráulico que controlava a temperatura dentro do reator, o que desencadeou um processo de superaquecimento irreversível e a consequente explosão do reator cheio de Urânio-235. Contudo essa explicação para o acidente não é aceita por todos, sendo que muitos apontam para falha humana e outros para erros no projeto e na construção do reator.

O vídeo abaixo (em inglês) mostra um esquema de como o retor explodiu.


Com a explosão, uma enorme quantidade de material radioativo foi lançado na atmosfera liberando uma radiação 400 vezes maior do que as bombas de Nagasaki e Hiroshima (SOUZA, s/d). O resultado foi a formação de uma grande nuvem de radiação que atingiu vários países europeus, alcançou outros continentes, mas que contaminou principalmente a república soviética mais próxima: a Bielorrússia (ou Belarus).

Nos dias que se seguiriam, a ação dos ventos e da chuva aumentariam a disseminação da radiação e segundo reportagem da BBC[12], o incêndio provocado pela explosão na usina ainda perduraria por mais 10 dias, durantes os quais os soviéticos tentariam conter as chamas do material radioativo com areia (para o incêndio) e chumbo (para a radiação) lançados sobre o reator de helicóptero.

A reação do Estado Soviético ao incidente foi considerada como lenta e contribuiu para que se prolongasse o tempo de exposição de milhares de pessoas à radiação, sobretudo na cidade de Pripyat. A população não foi avisada de imediato da magnitude da situação nem foram tomadas medidas de emergência como a distribuição de pílulas de iodo para impedir a absorção de iodo radioativo pelo corpo[13]. Mesmo o processo de evacuações só teve início 30h depois da explosão da usina, quando milhares de pessoas foram deslocadas para outras áreas com a promessa de que retornariam em poucos dias.

Visão externa do Palácio da Cultura. Autor: Timm Suess. Wikimedia Commons.
Visão interna do Palácio da Cultura. Autor: Timm Suess. Wikimedia Commons.

Como medida emergencial o governo soviético estabeleceu uma área de isolamento que se estende por uma área de raio de 30 km entorno do local da usina, evacuando mais de 135 mil pessoas residentes nesta área[14]. Ainda hoje a chamada Zona de alienação da Usina Nuclear de Chernobyl ou Zona de exclusão de Chernobyl ainda existe, é patrulhada por policiais aramados e a moradia é proibida, ainda que alguns dos evacuados tenham regressado a zona de forma clandestina e permanecem vivendo nela apesar do isolamento. Todavia, ainda segundo reportagem da BBC, a região nunca foi completamente evacuada devido a variação das regras de exclusão que dentro do perímetro da zona variam segundo os níveis de radiação.

“A usina, fechada em 2000, não tem residentes oficiais. Trabalhadores envolvidos na desativação da usina e na descontaminação da área têm permissão para morar na cidade de Chernobyl, a uma distância de 15 km da usina, mas ainda assim há um limite para o número de semanas consecutivas que podem passar no local”.

Outra medida adotada pelo Estado Soviético para combater o incêndio do reator 4, isolá-lo e fazer a “limpeza” da usina, cidades, povoados e campos contaminados foi a criação de uma brigada formada por 600.000 homens entre soldados, voluntários e especialistas de diversas áreas que passaram a ser chamados de “liquidadores” (“ликвида́тор” "likvidators").

Liquidador soviético durante as atividades de descontaminação.
Autor: IAEA Imagebank. Wikimedia Commons.
O objetivo dos liquidadores era conter o avanço da radiação impedindo que esta se alastrasse ainda mais e que outros montantes fossem liberados pelo reator, trabalhando inclusive em medidas para evitar uma segunda explosão. As atribuições destes homens ia desde a construção do sarcófago de aço e concreto que deveria envolver e isolar o reator 4, como desativar edifícios, realizar medições de radiação, remover camadas superficiais inteiras de solo contaminado, exterminar animais domésticos contaminados, demolir e enterrar construções cobertas por resíduos radioativos, fazer a limpeza de povoados inteiros e remover os destroços da explosão do teto e do entorno do reator.

Expostos a grande níveis de radiação e sem os equipamentos de proteção adequados apenas 5% dos liquidadores ainda vivos se encontram saudáveis[15], a maioria morreu ainda muito jovem, sobretudo por doenças como o câncer e muitos outros ficaram inválidos.

O “sarcófago” construído emergencialmente em aço e concreto para cobrir e isolar o reator hoje se encontra em estado avançado de deterioração o que cria o risco de um colapso da estrutura e o espalhamento de uma grande quantidade de poeira e resíduos radioativos (“200 toneladas de cório radioativo, 30 de poeira contaminada e 16 toneladas da soma de urânio e plutônio”[16]). Ante a este risco eminente o governo ucraniano, com o apoio de 21 países doadores, construiu uma nova estrutura de isolamento, o New Safe Confinement, uma estrutura de 108 metros de altura por 257 de largura e pesando 36 mil toneladas[17] que foi instalada, em 2016, sobre o reator 4.
Abaixo, no primeiro vídeo você pode conferir a instalação do novo “sarcófago” do reator 4, enquanto que no segundo vídeo, é possível se ter uma ideia da complexidade da construção dessa estrutura.

Novo sarcófago



Complexidade do projeto



As consequências

Além de inúmeras perdas humanas, materiais e afetivas, a mais nefasta e duradora consequência do acidente se revelaria nas gerações posteriores.

Após a liberação do material radioativo cresceram o número de doenças congênitas como má formação de órgãos e doenças cardiovasculares em crianças além do surgimento de mutações genéticas (KAPUSTINA, 2011)[18]. Além disso, houve absurdo aumento nos casos de câncer e de doenças da tireoide (idem, ibidem).

Por sua vez, as consequências psicológicas não são quantificáveis. Muitos dos depoimentos trazidos pelo livro de Svetlana pontuam algumas destas consequências no plano psicológico como nos trechos a seguir.

“Não adianta, as nossas crianças não sorriem. E em sonhos choram”.
“À nossa volta só se fala na morte. As crianças pensam na morte. Mas isso é algo que só deveria ser pensado no final da vida, e não no início dela”.

Nas regiões de maior contaminação, alimentos e animais ainda apresentam elevados níveis de radiação o que torna impraticável o seu consumo, e mesmo a cadeia alimentar selvagem foi atingida.


Durante as primeiras semanas após o acidente, o governo soviético, na época chefiado por Mikhail Gorbachev, tentou esconder do mundo a ocorrência do desastre. O desastre só seria revelado quando alguns países europeus identificaram o aumento anormal nos níveis de radioatividade em seus territórios, o que obrigou às autoridades locais a reconhecerem a ocorrência do acidente. Ainda hoje, em decorrência desta política de pouca transparência, as estatísticas de mortos e de pessoas contaminadas pela radiação são escassas e imprecisas revelando em sua maioria números bem menores do que a realidade.





[1]https://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica_Socialista_Sovi%C3%A9tica_da_Ucr%C3%A2nia
[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Nuclear_de_Chernobil
[3] https://es.wikipedia.org/wiki/Chern%C3%B3bil
[4] https://es.wikipedia.org/wiki/Chern%C3%B3bil
[5]http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/04/apesar-da-radiacao-mais-de-150-pessoas-ainda-moram-em-chernobyl.html
[6]http://www.bbc.com/portuguese/internacional/2016/04/160426_chernobyl_ucrania_aniversario_imagens_fd
[7]http://www.bbc.com/portuguese/internacional/2016/04/160426_chernobyl_ucrania_aniversario_imagens_fd
[8]https://gazetarussa.com.br/multimedia/inpictures/2017/04/27/pripyat-a-vida-pre-chernobyl-de-uma-cidade-atomica_751761
[9] http://www.infoescola.com/uniao-sovietica/pripyat/
[10]SOUSA, Rainer Gonçalves. Acidente de Chernobyl. Brasil Escola. Disponível em: http://brasilescola.uol.com.br/historia/chernobyl-acidente-nuclear.htm. Acesso em 26 de julho de 2017.
[11]PEDROLO, Caroline. Acidente da Usina Nuclear de Chernobyl. InfoEscola. Disponível em: http://www.infoescola.com/fisica/acidente-da-usina-nuclear-de-chernobyl/. Acesso em 26 de julho de 2017.
[12]http://www.bbc.com/portuguese/internacional/2016/04/160426_chernobyl_ucrania_aniversario_imagens_fd
[13]http://noticias.r7.com/internacional/noticias/saiba-mais-sobre-os-efeitos-da-radiacao-no-corpo-humano-20110412.html
[14]https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2016/04/26/ucrania-lembra-30-anos-de-chernobyl-e-rende-tributo-a-liquidadores.htm
[15]http://www.bbc.com/portuguese/internacional/2016/04/160426_chernobyl_ucrania_aniversario_imagens_fd
[16]http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2017/01/sarcofago-de-chernobyl-ganha-reforco-para-conter-poeira-radioativa.html
[17] op. cit.
[18] KAPUSTINA, Olga. Consequências da tragédia de Chernobyl persistem mesmo após 25 anos. DW, 2011. Disponível em: http://www.dw.com/pt-br/consequ%C3%AAncias-da-trag%C3%A9dia-de-chernobyl-persistem-mesmo-ap%C3%B3s-25-anos/a-14950218. Acesso em 26 de julho de 2017.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Dois jovens brasileiros ganham o Prêmio Impacto na Comunidade de 2016 com projeto de despoluição da água através do uso de sementes de moringa


Semana passada a Google anunciou os vencedores do Prêmio Impacto na Comunidade de 2016, um projeto da empresa estadunidense que integra a competição Google Science Fair e que teve este ano um projeto brasileiro entre os ganhadores. 

 
Letícia e João. Foto: divulgação.
O objetivo do projeto da Google é estimular jovens na faixa etária entre 13 e 18 anos a buscar desenvolver soluções inovadoras que beneficiem a sua comunidade através do estudo e da pesquisa científica. “Ela [Google Science Fair] incentiva os jovens a mudar o mundo por meio de pesquisas científicas e da solução de problemas. Eles aprenderão sobre o tópico que escolherem, além de desenvolver habilidades importantes ao longo da competição”, afirma o portal oficial do projeto.

A primeira edição da feira de ciência patrocinada pela Google, Lego, Virgin Galactic, National Geographic e Scientific American teve sua primeira edição no ano de 2011. A novidade deste ano, porém, é a vitória de dois brasileiros: João Gabriel Stefani, de 15 anos, e Letícia Pereira de Sousa, de 18, que moram em Fortaleza e desenvolveram o projeto Semente mágica que visa promover a despoluição da água através do uso de extratos da semente de Moringa.

Confiram o resumo do projeto extraído do site oficial da competição. O projeto na integra pode ser encontrado no site: www.googlesciencefair.com


Semente mágica: Transformação de água poluída em potável

O projeto utiliza extratos da semente de Moringa oleífera para despoluir a água. Essa semente tem propriedades coagulantes que facilitam a purificação de diversos materiais orgânicos presentes na água suja. Ela também reduz a quantidade de microrganismos presentes na solução, tornando a água potável. Pretendemos usar o projeto para levar água potável para comunidades que não têm acesso a ela, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Segundo a ONU, a água poluída mata mais pessoas do que todas as formas de violência, incluindo as guerras. Queremos, portanto, usar uma alternativa simples e barata para resolver esse problema.

Resumo

Com os recentes desastres ambientais na baía do Rio Doce, um problema ficou claro: a poluição da água que muitas pessoas utilizam para subsistência. Contudo, esse desastre foi apenas um caso que mimicou a dura realidade que diversas pessoas vivem. Em muitas regiões, as pessoas consomem água imprópria para consumo, que podem conter não apenas contaminantes químicos, mas também agentes patológicos biológicos.

Quando se pensa em tudo isso, a primeira idéia que nos vem à cabeça é o tratamento da água. O que poderia ser feito para que todos tenham acesso à água potável? Em busca de uma solução para isso, nós pretendemos utilizar a semente de Moringa oleífera, um coagulante natural barato, viável e totalmente biodegradável. Nossa intenção era encontrar a forma mais eficiente de utilização da solução de Moringa oleífera, bem como a sua concentração ótima, de modo a conseguir uma menor cor da água em menor tempo.

Descobrimos que, além de ser um ótimo coagulante, a semente possui também propriedades antimicrobianas, se destacando dos coagulantes inorgânicos, como o sulfato de alumínio, por isso. Chegamos a conclusão de que os extratos da Moringa Oleifera pode tornar a água potável, de maneira tão eficiente quanto usando floculantes não orgânicos, se destacando desses pelo controle de patógenos e pelo baixo custo. Nossa próxima meta é arranjar um meio de aplicação viável do projeto na sociedade, fazendo com que esta se beneficie pelo excelente custo-beneficio da Moringa, além de estar contribuindo para a solução de um dos maiores problemas mundiais atualmente.

 
Fontes consultados para a postagem:


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

CARTA EM DEFESA DO PIBID - FORPIBID - O Geographia Mundi apoia esta causa!

Por mais e melhor formação de professores, por mais qualidade na escola pública 

O FÓRUM NACIONAL DOS COORDENADORES INSTITUCIONAIS DO PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA ­ FORPIBID ­ vem manifestar­se, com veemência, pelo fortalecimento do PIBID e do PIBID Diversidade e contra os cortes de, pelo menos, 50% do número de bolsas em 2016, anunciados pela CAPES. Os Programas têm contribuído com a formação de qualidade de uma nova geração de professores da Educação Básica, constituindo­se em uma referência no sentido da valorização da educação e de seus profissionais. 

O êxito do PIBID e PIBID Diversidade deu ensejo a mudanças na legislação educacional, responsabilizando o governo com a manutenção dos Programas. O Plano Nacional de Educação (Lei nº 13.005/2014) institui metas para a formação de professores, incluindo a estratégia de ampliar o PIBID como uma das medidas sistêmicas para a melhoria da qualidade da educação pública em todos os níveis e modalidades. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (alterada pela Lei nº 12.796/2013) estabelece o incentivo à formação de profissionais “mediante programa institucional de bolsa de iniciação à docência aos licenciandos” e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores (Resolução CNE/CP nº 02/2015) exigem reformas nas licenciaturas, aproximando­as das características e dimensões da iniciação à docência realizadas pelos Programas. 

O PIBID é uma política de estado de caráter estruturante, que cria mecanismos concretos de articulação entre instituições e sujeitos de Norte a Sul do país, movimentando uma rede de trabalho e formação. O ideal de uma educação de qualidade como direito de cada brasileiro, nos Programas, se traduz em atividades planejadas de investigação, inovação e formação docente. Nessa rede, o conhecimento compartilhado sobre o trabalho/formação considera a pluralidade de escolas públicas, estimula enraizamento na cultura local e provoca o olhar para as conexões com o não­local. 

O PIBID lida com demandas que se acumularam no campo da educação. Assim, vem contribuindo para aumentar o interesse dos jovens pela profissão docente, ajudando-­os a construir a própria identidade profissional e a permanecer na licenciatura até concluir os estudos. Em paralelo, também contribui com a profissionalização e formação continuada dos professores formadores e inaugura um espaço privilegiado de diálogo e de trabalho integrado, derrubando os muros que separavam Instituições de Ensino Superior (IES) e escolas da Educação Básica. 

Fragilizar o PIBID e PIBID Diversidade é um grave equívoco da CAPES/MEC, especialmente, diante do “apagão” previsto com a falta de professores para as escolas públicas. Os cortes anunciados, sob o pretexto de recuperar “perdas” geradas pelos Programas implicam em descontinuidade política, fenômeno nefasto que marcou historicamente o campo da educação. Na verdade, dada a capilaridade e institucionalização alcançada, os cortes podem anular o esforço empreendido em regime de colaboração para edificar a política nacional de formação de professores. Tal ruptura implica não só na perda do investimento feito até aqui, mas no atraso de um projeto de educação que está em marcha, no adiamento ao combate às desigualdades, injustiças e problemas sociais, os quais sem a educação não serão jamais vencidos. 

Em respeito ao Estado Democrático, e enquanto sujeitos de direito, conclamamos a todos que almejam uma educação pública, gratuita e de qualidade para que somem forças em defesa do PIBID e PIBID Diversidade. Com efetiva responsabilidade, os atores que sustentam esse Programa mostram que é possível formar mais e melhores professores para a Educação Básica. Unamos forças para que os Programas possam avançar em conjunto com as políticas da educação e venham a contribuir para a construção de escolas melhores e, consequentemente de uma sociedade de fato democrática. 

Brasília, 25 de janeiro de 2015.


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Paisagem - Materiais Didáticos

Olá, pessoal estou disponibilizando alguns materiais que preparei para serem utilizados nas aula de Geografia quando o tema a ser abordado é o conceito de paisagem.  Todos os arquivos se encontram hospedados em sites de compartilhamento  gratuito para aqueles que possuem contas no 4Shared. Se alguém preferir o Minhateca, estes documentos estão hospedados em nossa conta no site (http://minhateca.com.br/Geomundi). Confiram os materiais e espero que gostem:


  • SLIDE FOTOGRÁFICO COM PAISAGENS DE VÁRIOS LUGARES DO MUNDO SEPARADAS POR CATEGORIAIS (naturais, culturais etc.)

4SHARED:



  • SLIDE-AULA SOBRE O CONCEITO DE PAISAGEM
4SHARED:


  • PROPOSTA DE ATIVIDADE INTRODUTÓRIA

Slides de Suporte:

4SHARED:
http://www.4shared.com/file/vrWJdeVQce/Conversando_sobre_paisagens_-_.html

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O conceito de paisagem (Texto de caráter didático)

Eric S. dos Santos

Cada ponto do planeta Terra tem suas próprias características naturais e humanas (rios, florestas, montanhas, fazendas, portos, cidades) não sendo igual a nenhum outro lugar. Quando caminhamos para a escola, quando viajamos e olhamos para além da nossa janela ou de algum lugar muito alto, ou até mesmo quando assistimos a algum programa de televisão, vemos muitos lugares diferentes com características naturais e culturais distintas, algumas vezes singulares, o que torna único cada ponto do planeta. Dizemos então que cada lugar possui uma paisagem. Mas o que seria, conceitualmente, uma paisagem?


É muito comum que as pessoas associem o termo com beleza, com algo que chama a atenção dos olhos quando fitamos, por exemplo, o horizonte, contudo para a Geografia paisagem vai muito além do belo ou do natural. Para Santos (2008, p. 67-68) “tudo o que nós vemos, o que nossa visão alcança, é a paisagem. [...] o domínio do visível, aquilo que a vista abarca. É formada não apenas de volumes mas também de cores, movimentos, odores, sons etc.”. A fala de Santos (2008) é reveladora ao nos mostrar que a paisagem está além do que podemos perceber com a nossa visão, e está ligado também a outros sentidos. Paisagens tem cheiro e som assim como em uma grande cidade poluída, onde sentimos o cheiro dos gases liberados por carros e fábricas e também os sons do tráfego nas ruas e rodovias.


Podemos considerar também a paisagem como um conjunto de elementos que podem ser naturais (montanhas, planaltos, rios, mares, matas) ou humanos, também chamados de humanizados ou culturais, que são aqueles elementos criados pelo homem através de seu trabalho (prédios, pontes, rodovias, casas). É devido à natureza desses elementos que na Geografia as paisagens também são classificadas em naturais e culturais (humanizadas).


Nas paisagens naturais ocorre a existência apenas de elementos naturais ou a presença de elementos humanos é muito pouco expressiva, com uma pequena ou nenhuma presença humana (MODERNA, 2006). Por sua vez, nas paisagens culturais, ocorre um predomínio de elementos humanizados e uma presença marcante do ser humano. Mesmo em áreas rurais, campos de cultivo e pastos são consideradas como paisagens culturais, uma vez que são resultado de uma natureza modificada pela ação humana (LUCCI, BRANCO, 2006).


Mas se na Geografia as paisagens são assim classificadas, é necessário ressaltar que nem toda paisagem é totalmente natural (intocada pelo homem), ou totalmente humanizada (inteiramente modificada). Muitas paisagens são composições de elementos humanos situados entorno ou próximo a um conjunto de elementos naturais.  Também, com a evolução das técnicas, tornou-se possível ao homem habitar qualquer parcela do espaço desde os desertos às florestas. As técnicas também permitiram um conhecimento e desbravamento crescente da superfície terrestre por parte do ser humano. Por isso, como recorda Santos (2008, p. 71), “se um lugar não é fisicamente tocado pela força do homem, ele é, todavia, objeto de preocupações e de intenções econômicas ou políticas”. A exemplo disso, citamos a floresta amazônica brasileira. Algumas áreas da imensa floresta ainda são intocadas, contudo, a região é vista como estratégica para o Brasil e é alvo de interesse de muitos países, seja como reserva para exploração futura, ou para pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos e outros produtos lucrativos.


É comum também se pensar na paisagem como algo estático, que nunca muda, assim como em uma foto que registra para sempre uma mesma cena. Porém as paisagens são dinâmicas e mudam constantemente. Estas mudanças podem ser naturais ou antrópicas (causadas pelo homem).


A ação erosiva da água, dos ventos, além dos terremotos, vulcões e maremotos podem causar modificações na paisagem. A atividade tectônica, por exemplo, cria montanhas ao longo de milhões de anos mudando não apenas o relevo como até mesmo o clima de um certo lugar. Entretanto as mudanças empreendidas pela ação humana são muito mais rápidas.


Segundo Lucci e Branco (2006) as formas presentes em uma paisagem podem mudar através de construções e reformas, mas também podem mudar de usos quando uma mesma forma assume diferentes funções a depender da necessidade das pessoas e das atividades que elas realizam. De todo modo, ações como destruição da vegetação (derrubada de florestas, por exemplo), a exploração do solo (para mineração, cultivo e criação) e a utilização de rios e oceanos produzem paisagens modificadas pelo trabalho humano (MODERNA, 2006).


Para a Geografia, a importância da paisagem está na possibilidade de entender o mundo e o lugar em que vivemos através de sua observação e análise. Ao analisá-las, identificando elementos naturais e humanizados compreendemos a dinâmica das atividades empreendidas por uma sociedade, suas atividades econômicas, sua estrutura social – as paisagens revelam muito sobre as disparidades sociais –, as técnicas e tecnologias dominadas por esta sociedade, o grau de urbanização e de intervenções na natureza.


Também podemos deduzir pela análise da paisagem onde a ação governamental é mais presente e espaços pouco atendidos pelo Estado, como o ser humano se organiza no espaço – uso e ocupação do solo –, além de diversas características ambientais (relevo, vegetação, hidrografia, regime climático) e seu grau de conservação.
Ao mesmo tempo, na paisagem encontramos elementos (formas) de épocas diferentes que revelam sobre os hábitos, a cultura e os estilos de vida da época em que foram construídos, assim como também revelam sobre as técnicas e tecnologias conhecidas e utilizadas no passado.
É devido a tudo isso que aprender a analisar a paisagem é um objeto do ensino de Geografia e que objetiva permitir ao cidadão compreender as dinâmicas socioespaciais, para melhor intervir na construção de uma sociedade social e economicamente mais justa e igualitária, com um uso mais racional do solo e dos recursos ambientais, em uma coexistência mais equilibrada e sustentável com a natureza, da qual, certamente, nós, seres humanos, também fazemos parte.




REFERÊNCIAS
LUCCI, Elian A.; BRANCO, Anselmo L. Geografia: homem e espaço: a natureza, o homem e a organização do espaço. 19 ed. São Paulo: Saraiva, 2006. 240 p.
MODERNA. Geografia - 5ª série. 1 ed. São Paulo: Editora Moderna, 2006. 248 p. (Projeto Araribá).
SANTOS, Milton. Metamorfose do espaço habitado: fundamentos teóricos e metodológicos da geografia. 6. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

SANTOS, Eric S. dos. O Conceito de paisagem. Geographia Mundi, Serrinha, 2015. Disponível em:<http://geomundieduc.blogspot.com/2015/08/o-conceito-de-paisagem-texto-de-carater.html>. Acesso em: (coloque a data de seu acesso. Ex.: 12 ago 2015).



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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Revistas de Geografia

Olá, pessoal. hoje estou divulgando um alista com algumas das revistas acadêmicas de Geografia. Quando estiver com mais tempo ampliarei a lista.

Revista de Geografia (Recife)

Instituição – Universidade Federal de Pernambuco
Periodicidade – quadrimestral
Submissões - online e mediante cadastro (login)
Objetivo – “publica artigos científicos, revisões bibliográficas, resenhas e notas referentes a Geografia e áreas afins”.
Domínio – http://www.revista.ufpe.br/revistageografia/index.php/revista/index
Acesso - livre


GEOGRAFIA (Londrina)

Instituição - Universidade Estadual de Londrina
Periodicidade – Semestral
Objetivo – “divulgação de trabalhos científicos inéditos nas áreas de interesse da ciência geográfica”.
Submissões – online e mediante cadastro (login)
Acesso - livre

CAMPO - TERRITÓRIO: REVISTA DE GEOGRAFIA AGRÁRIA

Instituição - Universidade Estadual do Oeste do Paraná
Periodicidade –  Semestral
Objetivo – “a) publicar trabalhos inéditos de revisão crítica sobre tema pertinente à Geografia Agrária e áreas afins ou resultados de pesquisas de natureza empírica, experimental ou conceitual;
b) fomentar o intercâmbio de experiências em sua especialidade com outras Instituições, nacionais ou estrangeiras, que mantenham publicações congêneres;
c) defender e respeitar os princípios do plurialismo de ideias filosóficas, políticas e científicas”.
Submissões – online e mediante cadastro (login)
Acesso – livre

Revista Mercator

Instituição - Universidade Federal do Ceará
Periodicidade – quadrimestral
Objetivo – “trata-se de espaço privilegiado de divulgação de trabalhos científicos, resultantes de pesquisas densas a tratarem de questões proeminentes para a sociedade acadêmica, ciências naturais e sociais”. 
Submissões – online e mediante cadastro (login)
Acesso - livre

Ateliê Geográfico

Instituição - Universidade Federal de Goiás
Periodicidade – quadrimestral
Objetivo – objetivo divulgar matérias concernentes aos estudos e reflexões acerca dos territórios e paisagens, no campo da Geografia e de áreas afins. Nela são acolhidos textos sob a forma de artigos, notas de pesquisas, ensaios, resenhas, traduções e entrevistas de todos os que se interessam e participam do conhecimento propiciado pela ciência.
Submissões – online e mediante cadastro (login)
Acesso - livre

Revista Brasileira de Educação em Geografia

Instituição - independente
Periodicidade – semestral
Objetivo – Publicar, disseminar e promover o intercâmbio nacional e internacional de pesquisas e prática educacionais ligadas a Educação em Geografia em diferentes níveis de educação formal e não formal, valorizando os diferentes recortes temáticos e teórico-metodológicos de investigação.
Submissões – online e mediante cadastro (login)
Acesso – livre

Élisée - Revista de Geografia da UEG

Instituição - Universidade Estadual de Goiás
Periodicidade – semestral
Objetivo – publicar artigos científicos, resenhas, notas de pesquisa, entrevistas e resumos de professores e pesquisadores de instituições de ensino e pesquisa de prestígio regional, nacional e internacional.
Submissões – online e mediante cadastro (login)
Acesso – livre


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

“COMO ESTÁ O TEMPO HOJE?”. UMA EXPERIÊNCIA DE ENSINO DE CLIMATOLOGIA ESCOLAR NO ENSINO MÉDIO (Fichamento)

O texto que apresento a vocês hoje trata-se de um pequeno artigo dos professores Diego Corrêa Maia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Ourinhos (SP), Sandro Luís Fraga da Silva da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Anderson Luis Hebling Christofoletti da Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Rio Claro (SP). Em seu texto os autores abordam a temática do ensino de Climatologia na geografia do ensino médio e trazem os resultados de uma atividade pedagógica aplicada por eles na área com estudantes de uma escola particular de Salvador-BA. Trata-se de uma atividade simples e de baixo custo, mas eficiente quando bem aplicada que aproximará o conteúdo de clima trabalhado pelos estudantes em sala de aula e a realidade de seu cotidiano.
Abaixo vocês encontram o link para ler o artigo no Scribd. O fichamento do texto e a Resenha elaborados por mim poderão ser baixados pelo Google Drive.

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