quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A sub-região nordestina da Zona da Mata

Eric Silva dos Santos

           Aspectos Físicos
        O nordeste brasileiro é subdividido em quatro grandes sub-regiões que foram baseadas em critérios naturais (clima e vegetação) e aspectos socioeconômicos. Entre essas regiões encontra-se a Zona da Mata.
            A Zona da Mata estende-se ao longo de grande parte do litoral nordestino desde o estado do Rio Grande do Norte até o sul da Bahia. Devido a sua localização próxima ao Oceano Atlântico possui um clima quente e chuvoso e originalmente suas terras eram cobertas por florestas tropicais, a chamada Mata Atlântica, que hoje se encontra muito degradada devido a forte exploração que sofreu e ainda sofre desde o inicio da colonização brasileira. A vegetação local foi sendo desmatada inicialmente na exploração do pau-brasil, depois dando lugar aos engenhos de açúcar e as cidades que surgiam e hoje o pouco que sobrou sofre a ameaça das explorações madeireiras, das queimadas e derrubadas para a implantação de lavouras.

            As temperaturas na região costumam ser altas e com elevados índices pluviométricos, oscilando entre 1.300 mm e 2.000 mm de precipitação anual. O relevo é principalmente formado de rochas cristalinas (aquelas que aparecem na natureza, constituída de elementos cristalizados, são rochas magmáticas) e apresenta um maciço na sua porção leste conhecido como Planalto da Borborema e que forma uma espécie de barreira entre essa sub-região e o Sertão.  Ele é responsável por reter a umidade na Zona da Mata uma vez que as grandes massas úmidas vindas do oceano que tentam transpô-lo acabam deixando quase toda umidade na encosta oriental desse planalto. O relevo da Zona da Mata também é formado por colinas e planícies e o solo é do tipo massapé, o que muito favoreceu o cultivo da cana-de-açúcar.
   
            Aspectos Econômicos e Populacionais   


           A Zona da Mata é a sub-região nordestina mais dinâmica economicamente do Nordeste.  Sua primeira atividade econômica foi extrativista, sendo o pau-brasil o grande interesse dos colonizadores portugueses durante os 30 anos do período de pré-colonização. Mas logo a economia extrativista foi dando lugar ao cultivo de cana-de-açúcar com a implantação dos engenhos de açúcar.
            A implantação dos engenhos de açúcar na Zona da Mata se deu no século XVI quando o comércio de especiarias se encontrava em crise e mantê-lo se tornava cada vez mais custoso devido aos ataques piratas e os tão comuns naufrágios. Além disso, o governo português sentiu que poderia perder os territórios atualmente pertencentes ao Brasil para outros países europeus. Tudo impelia então a ocupação imediatamente da nova terra e a procurar uma nova forma de manter os lucros. Naquela época açúcar era um artigo de luxo devido sua raridade e encontrando clima e solo propício nas terras da Zona da Mata para o cultivo da cana-de-açúcar Portugal acha uma maneira de incentivar a colonização através de um comércio lucrativo.

            Ali na Zona da Mata foram implantados os engenhos canavieiros, que era na verdade as propriedades onde o açúcar era produzido sob o comando dos senhores de engenho e com o trabalho escravo. Assim com a crescente importância da produção do açúcar, que partir dali se tornou o principal produto comerciário de Portugal, toda a vida social dentro da região nordeste da colônia passou a ser organizada em torno da produção do açúcar. Nessa organização se encontrava o senhor de engenho e sua família no topo da pirâmide, seguido dos trabalhadores livres (assalariados) e dos escravos que podiam ser de negros africanos ou indígenas e que formavam a maior parcela da população. Dentro do engenho o senhor tinha poderes quase que absolutos, e nada era feito sem seu consentimento, mas sua influência e ainda mais longe, pois estes ainda participavam da vida politica da região ocupando cargos nas câmaras municipais das vilas, onde eles estabeleciam suas leis. Nesse periodo não existia moilidade social devido a impossibilidade de se mudar de classe,  uma vez que um escravo sempre seria escravo e um senhor nunca perderia sua posição.





           No processo de implantação e funcionamento da economia engenheira a sub-região antes coberta pela densa floresta tropical foi dando lugar aos latifúndios canavieiros com extensões imensas plantadas apenas com cana.  Com o passar dos séculos os engenhos vão dando lugar as usinas de açúcar aliando as técnicas agrícolas com as industriais no que chamamos de agroindústria. Essas mesmas usinas hoje são também responsáveis pela produção do álcool.
            Mas a Zona da Mata não sobreviveu e sobrevive economicamente apenas do açúcar. No litoral sul da Bahia também se desenvolveu o cultivo do cacau que foi introduzido inicialmente na região de Ilhéus no século XIX e até hoje juntamente com Itabuna produzem em torno de 90% de toda a produção brasileira de cacau. Houve também a lavoura de tabaco se desenvolveu no Recôncavo Baiano. Todas essas culturas sem exceções foram voltadas para o mercado externo o que nós chamamos de produção para a exportação, ou seja, para ser vendido para fora do país. Outra produção que se destaca nessa sub-região litorânea é a produção do sal marinho, o mesmo que se usa na alimentação, e que é produzido no litoral do Rio Grande do Norte.
            A Zona da Mata também é a sub-região nordestina mais povoada e industrializada do Nordeste.  Maioria das indústrias nordestinas localizam-se no Zona da Mata, principalmente concentradas nas áreas metropolitanas das capitais da Bahia, de Pernambuco e do Ceará (Salvador, Recife e Fortaleza, respectivamente). Os demais centros industriais também se situam nas capitais estaduais e em sua grande maioria dentro da Zona da Mata. No que diz respeito à população a Zona da Mata atinge os maiores índices de densidade demográfica como se constata no mapa abaixo do IBGE (2007). Densidades que passam dos 100 habitantes por km2 e que se explica pela importância econômica do lugar.

 ADAS, Melhem. Geografia 2, o Brasil e suas regiões Geoeconômicas. São Paulo: Moderna, 1994. P. 165.

AZEVEDO, Guiomar G. de. Geografia 2: a organização dos espaços e as regiões brasileiras. São Paulo: Moderna, 1996. P. 153.

GUERRA, Antônio Teixeira. Dicionário Geológico-Geomorfológico. IBGE: Rio de Janeiro, 1966, P. 411.

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