quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O conceito de paisagem (Texto de caráter didático)

Eric S. dos Santos

Cada ponto do planeta Terra tem suas próprias características naturais e humanas (rios, florestas, montanhas, fazendas, portos, cidades) não sendo igual a nenhum outro lugar. Quando caminhamos para a escola, quando viajamos e olhamos para além da nossa janela ou de algum lugar muito alto, ou até mesmo quando assistimos a algum programa de televisão, vemos muitos lugares diferentes com características naturais e culturais distintas, algumas vezes singulares, o que torna único cada ponto do planeta. Dizemos então que cada lugar possui uma paisagem. Mas o que seria, conceitualmente, uma paisagem?


É muito comum que as pessoas associem o termo com beleza, com algo que chama a atenção dos olhos quando fitamos, por exemplo, o horizonte, contudo para a Geografia paisagem vai muito além do belo ou do natural. Para Santos (2008, p. 67-68) “tudo o que nós vemos, o que nossa visão alcança, é a paisagem. [...] o domínio do visível, aquilo que a vista abarca. É formada não apenas de volumes mas também de cores, movimentos, odores, sons etc.”. A fala de Santos (2008) é reveladora ao nos mostrar que a paisagem está além do que podemos perceber com a nossa visão, e está ligado também a outros sentidos. Paisagens tem cheiro e som assim como em uma grande cidade poluída, onde sentimos o cheiro dos gases liberados por carros e fábricas e também os sons do tráfego nas ruas e rodovias.


Podemos considerar também a paisagem como um conjunto de elementos que podem ser naturais (montanhas, planaltos, rios, mares, matas) ou humanos, também chamados de humanizados ou culturais, que são aqueles elementos criados pelo homem através de seu trabalho (prédios, pontes, rodovias, casas). É devido à natureza desses elementos que na Geografia as paisagens também são classificadas em naturais e culturais (humanizadas).


Nas paisagens naturais ocorre a existência apenas de elementos naturais ou a presença de elementos humanos é muito pouco expressiva, com uma pequena ou nenhuma presença humana (MODERNA, 2006). Por sua vez, nas paisagens culturais, ocorre um predomínio de elementos humanizados e uma presença marcante do ser humano. Mesmo em áreas rurais, campos de cultivo e pastos são consideradas como paisagens culturais, uma vez que são resultado de uma natureza modificada pela ação humana (LUCCI, BRANCO, 2006).


Mas se na Geografia as paisagens são assim classificadas, é necessário ressaltar que nem toda paisagem é totalmente natural (intocada pelo homem), ou totalmente humanizada (inteiramente modificada). Muitas paisagens são composições de elementos humanos situados entorno ou próximo a um conjunto de elementos naturais.  Também, com a evolução das técnicas, tornou-se possível ao homem habitar qualquer parcela do espaço desde os desertos às florestas. As técnicas também permitiram um conhecimento e desbravamento crescente da superfície terrestre por parte do ser humano. Por isso, como recorda Santos (2008, p. 71), “se um lugar não é fisicamente tocado pela força do homem, ele é, todavia, objeto de preocupações e de intenções econômicas ou políticas”. A exemplo disso, citamos a floresta amazônica brasileira. Algumas áreas da imensa floresta ainda são intocadas, contudo, a região é vista como estratégica para o Brasil e é alvo de interesse de muitos países, seja como reserva para exploração futura, ou para pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos e outros produtos lucrativos.


É comum também se pensar na paisagem como algo estático, que nunca muda, assim como em uma foto que registra para sempre uma mesma cena. Porém as paisagens são dinâmicas e mudam constantemente. Estas mudanças podem ser naturais ou antrópicas (causadas pelo homem).


A ação erosiva da água, dos ventos, além dos terremotos, vulcões e maremotos podem causar modificações na paisagem. A atividade tectônica, por exemplo, cria montanhas ao longo de milhões de anos mudando não apenas o relevo como até mesmo o clima de um certo lugar. Entretanto as mudanças empreendidas pela ação humana são muito mais rápidas.


Segundo Lucci e Branco (2006) as formas presentes em uma paisagem podem mudar através de construções e reformas, mas também podem mudar de usos quando uma mesma forma assume diferentes funções a depender da necessidade das pessoas e das atividades que elas realizam. De todo modo, ações como destruição da vegetação (derrubada de florestas, por exemplo), a exploração do solo (para mineração, cultivo e criação) e a utilização de rios e oceanos produzem paisagens modificadas pelo trabalho humano (MODERNA, 2006).


Para a Geografia, a importância da paisagem está na possibilidade de entender o mundo e o lugar em que vivemos através de sua observação e análise. Ao analisá-las, identificando elementos naturais e humanizados compreendemos a dinâmica das atividades empreendidas por uma sociedade, suas atividades econômicas, sua estrutura social – as paisagens revelam muito sobre as disparidades sociais –, as técnicas e tecnologias dominadas por esta sociedade, o grau de urbanização e de intervenções na natureza.


Também podemos deduzir pela análise da paisagem onde a ação governamental é mais presente e espaços pouco atendidos pelo Estado, como o ser humano se organiza no espaço – uso e ocupação do solo –, além de diversas características ambientais (relevo, vegetação, hidrografia, regime climático) e seu grau de conservação.
Ao mesmo tempo, na paisagem encontramos elementos (formas) de épocas diferentes que revelam sobre os hábitos, a cultura e os estilos de vida da época em que foram construídos, assim como também revelam sobre as técnicas e tecnologias conhecidas e utilizadas no passado.
É devido a tudo isso que aprender a analisar a paisagem é um objeto do ensino de Geografia e que objetiva permitir ao cidadão compreender as dinâmicas socioespaciais, para melhor intervir na construção de uma sociedade social e economicamente mais justa e igualitária, com um uso mais racional do solo e dos recursos ambientais, em uma coexistência mais equilibrada e sustentável com a natureza, da qual, certamente, nós, seres humanos, também fazemos parte.




REFERÊNCIAS
LUCCI, Elian A.; BRANCO, Anselmo L. Geografia: homem e espaço: a natureza, o homem e a organização do espaço. 19 ed. São Paulo: Saraiva, 2006. 240 p.
MODERNA. Geografia - 5ª série. 1 ed. São Paulo: Editora Moderna, 2006. 248 p. (Projeto Araribá).
SANTOS, Milton. Metamorfose do espaço habitado: fundamentos teóricos e metodológicos da geografia. 6. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

SANTOS, Eric S. dos. O Conceito de paisagem. Geographia Mundi, Serrinha, 2015. Disponível em:<http://geomundieduc.blogspot.com/2015/08/o-conceito-de-paisagem-texto-de-carater.html>. Acesso em: (coloque a data de seu acesso. Ex.: 12 ago 2015).



SLIDE DO MATERIAL DISPONÍVEL PARA DOWNLOAD
(Para professores e alunos)

Para usuários do Minhateca

(Todos os slides disponibilizados pela conta do Minhateca são pensados para ter um tamanho em que seja possível o download gratuito para usuários que tenham contas no Minhateca. O presente slide possui menos de 5 MB).

Para usuários do 4shared.


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Revistas de Geografia

Olá, pessoal. hoje estou divulgando um alista com algumas das revistas acadêmicas de Geografia. Quando estiver com mais tempo ampliarei a lista.

Revista de Geografia (Recife)

Instituição – Universidade Federal de Pernambuco
Periodicidade – quadrimestral
Submissões - online e mediante cadastro (login)
Objetivo – “publica artigos científicos, revisões bibliográficas, resenhas e notas referentes a Geografia e áreas afins”.
Domínio – http://www.revista.ufpe.br/revistageografia/index.php/revista/index
Acesso - livre


GEOGRAFIA (Londrina)

Instituição - Universidade Estadual de Londrina
Periodicidade – Semestral
Objetivo – “divulgação de trabalhos científicos inéditos nas áreas de interesse da ciência geográfica”.
Submissões – online e mediante cadastro (login)
Acesso - livre

CAMPO - TERRITÓRIO: REVISTA DE GEOGRAFIA AGRÁRIA

Instituição - Universidade Estadual do Oeste do Paraná
Periodicidade –  Semestral
Objetivo – “a) publicar trabalhos inéditos de revisão crítica sobre tema pertinente à Geografia Agrária e áreas afins ou resultados de pesquisas de natureza empírica, experimental ou conceitual;
b) fomentar o intercâmbio de experiências em sua especialidade com outras Instituições, nacionais ou estrangeiras, que mantenham publicações congêneres;
c) defender e respeitar os princípios do plurialismo de ideias filosóficas, políticas e científicas”.
Submissões – online e mediante cadastro (login)
Acesso – livre

Revista Mercator

Instituição - Universidade Federal do Ceará
Periodicidade – quadrimestral
Objetivo – “trata-se de espaço privilegiado de divulgação de trabalhos científicos, resultantes de pesquisas densas a tratarem de questões proeminentes para a sociedade acadêmica, ciências naturais e sociais”. 
Submissões – online e mediante cadastro (login)
Acesso - livre

Ateliê Geográfico

Instituição - Universidade Federal de Goiás
Periodicidade – quadrimestral
Objetivo – objetivo divulgar matérias concernentes aos estudos e reflexões acerca dos territórios e paisagens, no campo da Geografia e de áreas afins. Nela são acolhidos textos sob a forma de artigos, notas de pesquisas, ensaios, resenhas, traduções e entrevistas de todos os que se interessam e participam do conhecimento propiciado pela ciência.
Submissões – online e mediante cadastro (login)
Acesso - livre

Revista Brasileira de Educação em Geografia

Instituição - independente
Periodicidade – semestral
Objetivo – Publicar, disseminar e promover o intercâmbio nacional e internacional de pesquisas e prática educacionais ligadas a Educação em Geografia em diferentes níveis de educação formal e não formal, valorizando os diferentes recortes temáticos e teórico-metodológicos de investigação.
Submissões – online e mediante cadastro (login)
Acesso – livre

Élisée - Revista de Geografia da UEG

Instituição - Universidade Estadual de Goiás
Periodicidade – semestral
Objetivo – publicar artigos científicos, resenhas, notas de pesquisa, entrevistas e resumos de professores e pesquisadores de instituições de ensino e pesquisa de prestígio regional, nacional e internacional.
Submissões – online e mediante cadastro (login)
Acesso – livre


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

“COMO ESTÁ O TEMPO HOJE?”. UMA EXPERIÊNCIA DE ENSINO DE CLIMATOLOGIA ESCOLAR NO ENSINO MÉDIO (Fichamento)

O texto que apresento a vocês hoje trata-se de um pequeno artigo dos professores Diego Corrêa Maia da Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Ourinhos (SP), Sandro Luís Fraga da Silva da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Anderson Luis Hebling Christofoletti da Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Rio Claro (SP). Em seu texto os autores abordam a temática do ensino de Climatologia na geografia do ensino médio e trazem os resultados de uma atividade pedagógica aplicada por eles na área com estudantes de uma escola particular de Salvador-BA. Trata-se de uma atividade simples e de baixo custo, mas eficiente quando bem aplicada que aproximará o conteúdo de clima trabalhado pelos estudantes em sala de aula e a realidade de seu cotidiano.
Abaixo vocês encontram o link para ler o artigo no Scribd. O fichamento do texto e a Resenha elaborados por mim poderão ser baixados pelo Google Drive.

domingo, 2 de junho de 2013

Textos sobre Poluição e Indústria

Olá Pessoal,
hoje estou disponibilizando alguns textos acerca do tema Poluição Industrial, mas ressalto que nenhum dos textos são meus, são textos de terceiros coletados da internet e que eu apenas dei um visual mais agradável em formato Word. Abaixo estão os links de download ou leitura

MEDIDAS PARA COMBATER A POLUIÇÃO INDUSTRIAL
de Naturezaecologica.com

Ler pelo Google docs:
https://docs.google.com/file/d/0B3HDkTfuhZNlb0lLR3pxMllRLW8/edit
download:
https://docs.google.com/file/d/0B3HDkTfuhZNlNWhYTXVLbng1cjQ/edit?usp=sharing


COMO CUBATÃO DEIXOU O VALE DA MORTE
de Liane Uechi

Ler pelo Google docs:
https://docs.google.com/file/d/0B3HDkTfuhZNlQTJ4bXptR0RVUUE/edit
download:
https://docs.google.com/file/d/0B3HDkTfuhZNlZ2RVbkZsM2F3aEk/edit?usp=sharing


A POLUIÇÃO PROVOCADA PELA INDÚSTRIA DE PAPEL E CELULOSE
de Claudinei Machado

Ler pelo Google docs:
https://docs.google.com/file/d/0B3HDkTfuhZNlZWpEY01qNXhVV1k/edit
download:
https://docs.google.com/file/d/0B3HDkTfuhZNlTmNKOHVWZ09nTkE/edit?usp=sharing

10 POLUENTES QUE MAIS MATAM NO MUNDO
de Jessica Soares

Ler pelo Google docs:
https://docs.google.com/file/d/0B3HDkTfuhZNlYzJTaExZWDlBSjg/edit
download:
https://docs.google.com/file/d/0B3HDkTfuhZNldnZDVjVyTUVkalE/edit?usp=sharing

domingo, 12 de maio de 2013

Como preparar slides para exibir na TVPendrive.

Muitas escolas públicas, sobretudo, no Estado da Bahia possui como recurso didático a TvPendrive, que possui suas limitações (assunto para outras discussões), mas que possui também suas utilidades como ferramenta pedagógica no momento de tornar a aula mais atrativa para o estudante, como recurso para auxiliar o professor ou simplesmente para dar um foco diferenciado a aula. Mas muitos professores esbarram em uma questão: Como utilizar a TvPendrive? ela faz o mesmo que se poderia fazer com um Notebook e um data show? A resposta é negativa, mas ainda assim não retira o mérito deste recurso que é muito mais acessível.  Hoje através desse pequeno tutorial vou ensinar como como preparar slides para exibir na TVPendrive. A apresentação digital, ou mais comumente chamada de slide, é um dos recursos mais utilizado dentre as TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) na escola, devido suas possibilidade visuais de agregar imagem e texto ao longo da explanação tornando-se ponto de apoio para o professor que pode utilizar-se de diversas fontes extra livro didático e agrega-los em texto ou tópicos fluidos. 
Assim a tutorial que preparei para vocês ensinará como deixar os slides preparados em powerpoint prontos para apresentar na TvPendrive (o mesmo pode ser feito no LibreOffice Impress, mas com algumas distinções no momento de salvar no formato adequado, em uma outra oportunidade apresento o programa).

IMPORTANTE: Caso o vídeo fique embaçado com a qualidade de imagem ruim vá no botãozinho da engrenagem e mude o nível de qualidade para um valor maior do que 144p. Com certeza a sua conexão está lenta e o youtube reduz a qualidade de vídeo, mas para melhor visualizar as instruções é necessário ampliar a qualidade.




segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Educação Opressora X Educação Libertadora



Olá, pessoal eu não costumo postar texto que não são meus, mas existem aqueles textos que valem serem gritados para o mundo ou pelo menos que cheguem aos ouvidos de muitos. É o caso desse fragmento que fala da dualidade entre uma educação opressora e uma educação libertadora. Vale apena conferir.
Boa Leitura!

Eric Silva

Educação Opressora X Educação Libertadora

Toda educação é, em si mesma, opressora. A passagem do ser individual ao ser social não se fez sem um preço. E este preço é o controle sobre tendências egoístas e individuais exacerbadas. Controle que, de predominantemente externo, torna-se cada vez mais interno, com o decorre do processo educacional. E que exige uma grande força de vontade, capaz de conduzir o indivíduo a maneiras de sentir, pensar e agir que se coadunem com uma percepção global da sociedade, que, por sua vez, ultrapassa percepções meramente particularistas. 

É exatamente nesse processo que se pode dar o salto para a libertação. Pois não é apenas da opressão externa, e em busca de si mesmo, que o indivíduo precisa libertar-se. Deve libertar-se também de si mesmo, de suas tendências egocêntricas, para integrar-se na realidade social e nela atuar. E a escola cumprirá tanto mais a sua função quanto mais favorecer essa dupla libertação, sendo cada vez menos instrumento da opressão externa sobre o indivíduo e estimulando cada vez mais seu crescimento rumo à participação social consciente. 

Diria, portanto, que a opressão antecede a libertação, é uma etapa da própria libertação, nesse jogo dialético que constitui a vida e a própria educação. Se não, libertar-se de quê? Trata-se, no caso, de uma visão parcial do processo de desenvolvimento e de educação. Quando vistas globalmente, entretanto, no mesmo processo, opressão e libertação coexistem, podendo predominar ora a primeira, ora a segunda, ou, mesmo, equilibrar-se momentaneamente. 

Cabe ao educador trabalhar pela libertação, tendo, porém, consciência permanente de que o processo será contínuo, que algum grau de opressão sempre existirá e que nunca alcançaremos a libertação total. Mas é exatamente essa busca constante que dá sentido à vida.

Referência
O Relacionamento Interpessoal na Facilitação da Aprendizagem In: Brandão, Carlos R. O que é educação. 5. Ed. São Paulo, Brasiliense, 1982, p. 8-9

Se Você, caro leitor, quiser ler o texto completo o encontrará disponível em:

ou em:


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...