segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Educação Opressora X Educação Libertadora



Olá, pessoal eu não costumo postar texto que não são meus, mas existem aqueles textos que valem serem gritados para o mundo ou pelo menos que cheguem aos ouvidos de muitos. É o caso desse fragmento que fala da dualidade entre uma educação opressora e uma educação libertadora. Vale apena conferir.
Boa Leitura!

Eric Silva

Educação Opressora X Educação Libertadora

Toda educação é, em si mesma, opressora. A passagem do ser individual ao ser social não se fez sem um preço. E este preço é o controle sobre tendências egoístas e individuais exacerbadas. Controle que, de predominantemente externo, torna-se cada vez mais interno, com o decorre do processo educacional. E que exige uma grande força de vontade, capaz de conduzir o indivíduo a maneiras de sentir, pensar e agir que se coadunem com uma percepção global da sociedade, que, por sua vez, ultrapassa percepções meramente particularistas. 

É exatamente nesse processo que se pode dar o salto para a libertação. Pois não é apenas da opressão externa, e em busca de si mesmo, que o indivíduo precisa libertar-se. Deve libertar-se também de si mesmo, de suas tendências egocêntricas, para integrar-se na realidade social e nela atuar. E a escola cumprirá tanto mais a sua função quanto mais favorecer essa dupla libertação, sendo cada vez menos instrumento da opressão externa sobre o indivíduo e estimulando cada vez mais seu crescimento rumo à participação social consciente. 

Diria, portanto, que a opressão antecede a libertação, é uma etapa da própria libertação, nesse jogo dialético que constitui a vida e a própria educação. Se não, libertar-se de quê? Trata-se, no caso, de uma visão parcial do processo de desenvolvimento e de educação. Quando vistas globalmente, entretanto, no mesmo processo, opressão e libertação coexistem, podendo predominar ora a primeira, ora a segunda, ou, mesmo, equilibrar-se momentaneamente. 

Cabe ao educador trabalhar pela libertação, tendo, porém, consciência permanente de que o processo será contínuo, que algum grau de opressão sempre existirá e que nunca alcançaremos a libertação total. Mas é exatamente essa busca constante que dá sentido à vida.

Referência
O Relacionamento Interpessoal na Facilitação da Aprendizagem In: Brandão, Carlos R. O que é educação. 5. Ed. São Paulo, Brasiliense, 1982, p. 8-9

Se Você, caro leitor, quiser ler o texto completo o encontrará disponível em:

ou em:


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A sub-região nordestina do Meio-Norte



Aspectos Físicos

O meio-Norte é uma zona de transição entre a Floresta Amazônica e o Sertão semiárido. Assim temos entre as sub-regiões nordestinas, duas que são consideradas zonas de transição: o Meio-Norte (Sertão-Amazônia) e o Agreste (Sertão-Mata Atlântica).

           A sub-região Meio-Norte é tradicionalmente considerada como as porções que compreendem toda a extensão territorial do Estado do Maranhão e mais a porção ocidental do Piaui. Mas segundo José Wiliam Versentini e Maria Vlach (2000, p. 119), somente a porção compreendida entre a bacia do rio Grajaú e a bacia do rio Parnaíba poderia ser considerado como meio-Norte, uma vez que a oeste do Grajaú (parte ocidental do Maranhão) possui uma caracterização climatobotânica muito mais semelhante à Amazônia úmida (clima úmido e vegetação equatorial) e a porção a leste da bacia do Parnaíba possui clima e vegetação mais próximo do que caracteriza a sub-região sertaneja (clima-úmido e vegetação de caatinga). Levando em consideração essa observação dos autores o mapa da subdivisão nordestina em sub-regiões passaria a ter uma drástica mudança. Compare o mapa 1 (SIEBERT, 1995, p. 62), com a divisão oficial, com o mapa 2 (VERSENTINI; VLACH, 2000 p. 113). O mapa de VERSENTINI e VLACH se aproxima da regionalização em Complexos regionais ou regiões geoeconômicas (mapa 4), não oficial (apesar de seu grande uso no ensino atual de Geografia do Brasil), que divide o Estado do Maranhão em duas partes pertencentes a regiões diferentes: Nordeste (porção leste) e Amazônia (porção oeste). Essa divisão se dá por considera-se que a parte leste e oeste do Maranhão não possuem as mesmas características socioeconômicas e ambientais, entre eles o apontado por VERSENTINI e VLACH. A sub-região marcada pelos dois autores também se aproxima do Meio-Norte úmido apontado por ANDRADE (s/d, apud ADAS, 2002, p. 46) no mapa 3.

                Em relação ao relevo destaca-se no Meio-Norte uma grande bacia sedimentar, a Bacia do Parnaíba, que forma na região uma larga planície que vai do litoral ao interior. Acompanhado da bacia sedimentar ainda os existem os planaltos e chapadas também da bacia fluvial do Parnaíba. “Chapadas, de topo aplainados, limitadas por escarpas bem marcadas.” (AZEVEDO, 1996, p. 113).

                Já em relação a vegetação, boa parte do sul do Meio-Norte é dominado por vegetação de Cerrado, intercalado pelas Matas de Cocais, que é própria da zona Meio-Norte verdadeira apontada por VERSENTINI e VLACH; já na porção oeste  se encontra  a floresta equatorial e a caatinga à leste.

                A mata de cocais apresenta-se como uma vegetação de transição constituída sobretudo por palmeiras, principalmente a carnaúba e o babaçu. Essas duas palmeiras apresentam grande importância econômica para a região servindo de complementação para a população de baixa renda que não consegue na agricultura de subsistência o suficiente para sua sobrevivência. A carnaúba [link] é típica do cerrado sendo dela extraída cera e óleo que servem como matéria-prima à fabricação de ceras, velas, lubrificantes entre outros produtos. O babaçu [link] por sua vez, predominante no Maranhão e norte de Tocantins é usado para fabricar um óleo presente em cosméticos e aparelhos de alta precisão e dele também se extrai palmito.

Aspectos econômicos

                Em relação à agricultura, o Meio-Norte apresenta o cultivo de arroz com destaque para o Maranhão, sendo “cultivado nos vale dos rios Mearim e Pindaré” (AZEVEDO, 1996, p. 114) e criação de gado “nas áreas de cerrado da chapada” (idem, ibdem, p. 114). Uma agricultura tradicional que também destaca a cana-de-açúcar e o algodão nas grades propriedade. Levando em consideração a explicação de Melhem Adas (2002, p. 60-2) da construção dos preços geográficos no Meio-Norte é possível elaborar um quadro dos ciclos econômicos do Meio-Norte ao longo da história:

Séculos XVIII – XIX: Com as guerras pela independência e a guerra de Secessão travadas nos EUA, obrigaram aos industriais de tecidos ingleses  a buscarem a matéria-prima do algodão em outros mercados fornecedores, o que estimulou a produção algodoeira da região;

Século XIX: Com a diminuição da procura pelo algodão brasileiro devido à normalização do quadro politico estadunidense estabeleceu-se no Meio-Norte um forte fluxo migratório em direção à Amazônia durante o período do ciclo da borracha.

Período até meado de 1960: A economia girava em torno da criação de gado, da cultura algodoeira, da exploração do babaçu e da carnaúba, da produção açucareira  e da cultura do arroz. Uma economia essencialmente agrária.

Anos de 1960 e 1970: Ocorre uma modernização econômica com a implantação da Sudene e da Sudam, além do Projeto Grande Carajás, onde o Maranhão torna-se escoadouro da produção mineral, sobretudo de ferro, das minas da Serra dos Carajás. A implantação do projeto, porém além de um grande impacto ambiental, torna a região uma zona de conflito entre empresas, posseiros e indígenas pela posse de terra.

Final da década de 1980: Migrantes gaúchos compram grandes extensões de terra do cerrado a baixo preço e num fenômeno semelhante ao Oeste Baiano aplicam ali as modernas técnicas da agricultura moderna permitindo uma grande produção latifundiária voltada para o mercado externo de soja, frutas e outros gêneros agrícolas.

          Quase toda a produção do Meio-Note é voltada para o mercado externo à região e como salienta ADAS (ibdem, p. 61):
A existência de uma frágil economia produziu os espaços voltados para si próprios (os espaços de subsistência), ainda encontrados hoje no Meio-Norte, devido à falta de uma politica agrária que pudesse implementar reformas no campo e incluir posseiros, homens sem-terra e minifúndios no processo de produção moderno, garantindo-lhes melhores condições de vida. (ADAS 2002, p. 61).
               
A sub-região possui uma industrialização mais forte e diversificada na Região Metropolitana de São Luís e na Grande Teresina, tendo iniciado seu processo de industrialização “com a instalação de indústrias que constituem extensões dos projetos minerais da Amazônia” (BRASIL REPÚBLICA, s/d), sobretudo aquelas diretamente ligadas à produção ferrífera do Grande Carajás. 

Mapa 1 - (SIEBERT, 1995, p. 62), Sub-regiões nordestinas 

Mapa 3 - (ANDRADE, s/d, apud ADAS, 2002, p. 46) - Nordeste: Zonas ou sub-regiões naturais.
Mapa 2 - (VERSENTINI; VLACH, 2000 p. 113) - Sub-regiões do Nordeste. 


Mapa 4 - (COELHO, Marcos de Amorim; TERRA, Lygia, 2005) - Os grandes complexos regionais do Brasil.

Mina "Serra Azul", em Carajás.

ADAS, Melhem. Geografia: construção do espaço brasileiro. 4ª ed. São Paulo: Moderna, 2002. P. 240.

AZEVEDO, Guiomar G. de. Geografia 2: a organização dos espaços e as regiões brasileiras. São Paulo: Moderna, 1996. P. 153.

BRASIL REPUBLICA. Região Nordeste. Acesso em: 21 jan. 2013. Disponível em: http://www.brasilrepublica.com/nordeste.htm.

COELHO, Marcos de Amorim; TERRA, Lygia. Geografia Geral e do Brasil. São Paulo, 2005, p. 479.

SIEBERT, Renata. Meu Brasil em mapas: atividades de geografia e história do Brasil atrvés de mapas.  São Paulo, FTD, 1995, p. 111.

VESENTINI, J. William; VLACH, Vânia. Geografia Critica 2: O espaço social e o espaço brasileiro. 28ª ed. São Paulo: Ática, 2000. P. 144.

WIKIPEDIA. Meio-Norte. Acesso em: 21 jan. 2013. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Meio-Norte. 




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A sub-região nordestina do Agreste



Eric Silva  dos Santos
Aspectos físicos

            O Agreste é a segunda sub-região nordestina em importância econômica e se situa numa faixa de terra estreita em seu sentido Leste-Oeste e mais alongada no sentido norte-sul e que se estende do estado do Rio Grande do Norte ao Sul do estado da Bahia. Está estabelecida entre o Sertão de clima quente e seco do tipo tropical semiárido (a oeste) e a Zona da Mata de clima quente e úmido do tipo litorâneo úmido (situada a leste) e por isso se encontra em uma zona de transição entre essas sub-regiões. Devido a essa diferença climática o Agreste apresenta formações vegetais do tipo caatinga e nas áreas mais úmidas, conhecidas como brejos formações florestais semelhantes à Mata Atlântica.

            Essa região apresenta um relevo com uma altitude relativamente elevada chegando entre 500 e 800 m de altura, pois corresponde a área do planalto da Borborema. A Borborema devido sua altitude forma ali verdadeiras barreiras para a penetração de nuvens oriundas do litoral e carregadas de umidade que iriam em direção ao interior do nordeste. As barreiras naturais da Borborema assim acabam por ajudar no fenômeno das secas na sub-região do Sertão. Sobre isso ADAS (1994, p. 79) afirma:

Os “Paredões” ou encostas dos planaltos voltadas para o Oceano Atlântico provocam a ascensão (subida) das massas de ar úmidas vindas do oceano. A temperatura do ar atmosférico, que é menor em altitude maior, provoca a condensação do vapor da água transportado pela massa de ar, podendo ocasionar chuvas (veja figura 8.2). Assim, na porção leste do Agreste, próxima da Zona da Mata, chove mais que na sua porção oeste, próxima do Sertão, como já vimos.
Quando as massas de ar conseguem ultrapassar essa barreira do relevo e penetram em direção ao interior, já são massas de ar secas (com pouca umidade). Esta é um das causas da ocorrência da pouca chuva, o que provoca a seca no Sertão nordestino.

            Os solos se diferenciam de acordo a região, sendo mais férteis e de melhores condições de umidade os solos próximos à Zona da Mata e de baixa fertilidade e pouca umidade os que entram em contato com o Sertão. 

Aspectos econômicos            
            Durante o período colonial, o Agreste era uma zona de policultura e de criação de gado destinada ao abastecimento de gêneros alimentícios para a Zona da Mata. Ainda hoje os vários cultivos (algodão, café, frutas tropicais, arroz, milho e feijão) e a produção leiteira e de gado de corte possui a finalidade herdada do período do Brasil colônia, abastecendo os grandes centros e as cidades do litoral nordestino.
            A produção agrícola é praticada, ao contrario da Zona da Mata, em pequenas propriedades de terra, chamadas de minifúndio. Esses minifúndios são resultado das sucessivas divisões dos antigos latifúndios coloniais que existiam na região através dos séculos, principalmente devido às heranças deixadas de pai para filhos, que dividiam entre si as terras herdadas.
            O agreste também cumpre a função de fornecedora de mão-de-obra temporária aos canaviais da Zona da Mata. Muitos trabalhadores na época do corte da cana-de-açúcar deixam suas pequenas propriedades para se empregarem como trabalhadores temporários para as usinas, os chamados boias-frias, regressando a suas famílias quando termina o período da colheita. Esses trabalhadores sentem tal necessidade de abandonar seus familiares e seus pertences em busca de trabalho insalubres e provisórios devido ao reduzido tamanho de suas propriedades agrícolas “para assegurar a subsistência e um certo progresso social e econômico ao minifundiário e a sua família” (idem, Ibid.).
            Os principais centros urbanos do Agreste são: Campina Grande, no estado da Paraíba, Caruaru, em Pernambuco e Feira de Santana, na Bahia.


ADAS, Melhem. Geografia 2, o Brasil e suas regiões Geoeconômicas. São Paulo: Moderna, 1994. P. 165.

AZEVEDO, Guiomar G. de. Geografia 2: a organização dos espaços e as regiões brasileiras. São Paulo: Moderna, 1996. P. 153.

COELHO, Marcos de Amorim.  Geografia do Brasil. 4ed. São Paulo: Moderna, 1996. P. 400. (Série sinopse)

VESENTINI, J. William; VLACH, Vânia. Geografia Critica 2: O espaço social e o espaço brasileiro. 28ª ed. São Paulo: Ática, 2000. P. 144.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A sub-região nordestina da Zona da Mata

Eric Silva dos Santos

           Aspectos Físicos
        O nordeste brasileiro é subdividido em quatro grandes sub-regiões que foram baseadas em critérios naturais (clima e vegetação) e aspectos socioeconômicos. Entre essas regiões encontra-se a Zona da Mata.
            A Zona da Mata estende-se ao longo de grande parte do litoral nordestino desde o estado do Rio Grande do Norte até o sul da Bahia. Devido a sua localização próxima ao Oceano Atlântico possui um clima quente e chuvoso e originalmente suas terras eram cobertas por florestas tropicais, a chamada Mata Atlântica, que hoje se encontra muito degradada devido a forte exploração que sofreu e ainda sofre desde o inicio da colonização brasileira. A vegetação local foi sendo desmatada inicialmente na exploração do pau-brasil, depois dando lugar aos engenhos de açúcar e as cidades que surgiam e hoje o pouco que sobrou sofre a ameaça das explorações madeireiras, das queimadas e derrubadas para a implantação de lavouras.

            As temperaturas na região costumam ser altas e com elevados índices pluviométricos, oscilando entre 1.300 mm e 2.000 mm de precipitação anual. O relevo é principalmente formado de rochas cristalinas (aquelas que aparecem na natureza, constituída de elementos cristalizados, são rochas magmáticas) e apresenta um maciço na sua porção leste conhecido como Planalto da Borborema e que forma uma espécie de barreira entre essa sub-região e o Sertão.  Ele é responsável por reter a umidade na Zona da Mata uma vez que as grandes massas úmidas vindas do oceano que tentam transpô-lo acabam deixando quase toda umidade na encosta oriental desse planalto. O relevo da Zona da Mata também é formado por colinas e planícies e o solo é do tipo massapé, o que muito favoreceu o cultivo da cana-de-açúcar.
   
            Aspectos Econômicos e Populacionais   


           A Zona da Mata é a sub-região nordestina mais dinâmica economicamente do Nordeste.  Sua primeira atividade econômica foi extrativista, sendo o pau-brasil o grande interesse dos colonizadores portugueses durante os 30 anos do período de pré-colonização. Mas logo a economia extrativista foi dando lugar ao cultivo de cana-de-açúcar com a implantação dos engenhos de açúcar.
            A implantação dos engenhos de açúcar na Zona da Mata se deu no século XVI quando o comércio de especiarias se encontrava em crise e mantê-lo se tornava cada vez mais custoso devido aos ataques piratas e os tão comuns naufrágios. Além disso, o governo português sentiu que poderia perder os territórios atualmente pertencentes ao Brasil para outros países europeus. Tudo impelia então a ocupação imediatamente da nova terra e a procurar uma nova forma de manter os lucros. Naquela época açúcar era um artigo de luxo devido sua raridade e encontrando clima e solo propício nas terras da Zona da Mata para o cultivo da cana-de-açúcar Portugal acha uma maneira de incentivar a colonização através de um comércio lucrativo.

            Ali na Zona da Mata foram implantados os engenhos canavieiros, que era na verdade as propriedades onde o açúcar era produzido sob o comando dos senhores de engenho e com o trabalho escravo. Assim com a crescente importância da produção do açúcar, que partir dali se tornou o principal produto comerciário de Portugal, toda a vida social dentro da região nordeste da colônia passou a ser organizada em torno da produção do açúcar. Nessa organização se encontrava o senhor de engenho e sua família no topo da pirâmide, seguido dos trabalhadores livres (assalariados) e dos escravos que podiam ser de negros africanos ou indígenas e que formavam a maior parcela da população. Dentro do engenho o senhor tinha poderes quase que absolutos, e nada era feito sem seu consentimento, mas sua influência e ainda mais longe, pois estes ainda participavam da vida politica da região ocupando cargos nas câmaras municipais das vilas, onde eles estabeleciam suas leis. Nesse periodo não existia moilidade social devido a impossibilidade de se mudar de classe,  uma vez que um escravo sempre seria escravo e um senhor nunca perderia sua posição.





           No processo de implantação e funcionamento da economia engenheira a sub-região antes coberta pela densa floresta tropical foi dando lugar aos latifúndios canavieiros com extensões imensas plantadas apenas com cana.  Com o passar dos séculos os engenhos vão dando lugar as usinas de açúcar aliando as técnicas agrícolas com as industriais no que chamamos de agroindústria. Essas mesmas usinas hoje são também responsáveis pela produção do álcool.
            Mas a Zona da Mata não sobreviveu e sobrevive economicamente apenas do açúcar. No litoral sul da Bahia também se desenvolveu o cultivo do cacau que foi introduzido inicialmente na região de Ilhéus no século XIX e até hoje juntamente com Itabuna produzem em torno de 90% de toda a produção brasileira de cacau. Houve também a lavoura de tabaco se desenvolveu no Recôncavo Baiano. Todas essas culturas sem exceções foram voltadas para o mercado externo o que nós chamamos de produção para a exportação, ou seja, para ser vendido para fora do país. Outra produção que se destaca nessa sub-região litorânea é a produção do sal marinho, o mesmo que se usa na alimentação, e que é produzido no litoral do Rio Grande do Norte.
            A Zona da Mata também é a sub-região nordestina mais povoada e industrializada do Nordeste.  Maioria das indústrias nordestinas localizam-se no Zona da Mata, principalmente concentradas nas áreas metropolitanas das capitais da Bahia, de Pernambuco e do Ceará (Salvador, Recife e Fortaleza, respectivamente). Os demais centros industriais também se situam nas capitais estaduais e em sua grande maioria dentro da Zona da Mata. No que diz respeito à população a Zona da Mata atinge os maiores índices de densidade demográfica como se constata no mapa abaixo do IBGE (2007). Densidades que passam dos 100 habitantes por km2 e que se explica pela importância econômica do lugar.

 ADAS, Melhem. Geografia 2, o Brasil e suas regiões Geoeconômicas. São Paulo: Moderna, 1994. P. 165.

AZEVEDO, Guiomar G. de. Geografia 2: a organização dos espaços e as regiões brasileiras. São Paulo: Moderna, 1996. P. 153.

GUERRA, Antônio Teixeira. Dicionário Geológico-Geomorfológico. IBGE: Rio de Janeiro, 1966, P. 411.

VESENTINI, J. William; VLACH, Vânia. Geografia Critica 2: O espaço social e o espaço brasileiro. 28ª ed. São Paulo: Ática, 2000. P. 144.


domingo, 28 de agosto de 2011

As Tecnologias da Informação e Comunicação na escola e o ensino de Geografia



1.      O impasse da utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação na escola
               Alguns dos avanços  tecnológicos que tanto tem se inserido na dinâmica da vida do homem moderno chegaram às escolas(sobretudo o computador), mas esse processo tem se dado de forma um tanto equivocada.  A tecnologia, principalmente a de informática, tem facilitado e tornado bem ágil as atividades administrativas e também permitido a produção de material didático.

No entanto, há uma grande expectativa quanto às possibilidades de assessoramento desses recursos no processo de ensino e aprendizagem, o que irá produzir grande impacto no aprender a aprender (SCARAMELLO: 2002 apud ALMEIDA, SCARAMELLO, SANTOS, 2009).

               Mas em muitos lugares essa capacidade de inovação no processo de ensino aprendizagem não vem ocorrendo. Muitas escolas apesar de apresentarem  recursos informáticos, principalmente laboratórios de informática, tem o uso desses recursos restringidos à secretaria ou raramente à pesquisa escolar dos alunos que mais se baseiam no “copiar”, “colar” e imprimir dados da internet. Não há uma preocupação em capacitar os professores para que esses possam se  utilizar de tais recursos em sala de aula ou laboratório de informática.  Situação essa  que vai de encontro com a própria  Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) que
Em seu artigo 67, inciso II, prevê que os sistemas de ensino promovam a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim. (ALMEIDA, SCARAMELLO, SANTOS, 2009).

               A capacitação muitas vezes não vem sendo feita e se é necessário que a integração das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) seja feita de forma cuidadosa e baseada em pesquisas e postulados didáticos. Quando se fala em capacitação não se faz menção à capacitação técnica dos docentes, não se tem a necessidade de técnicos em informática na escola, mas de profissionais que consigam utilizar-se dessas tecnologias  de forma didática e pedagógica, com bom aproveitamento. Com isso seria possível  a eles enriquecerem suas aulas e fazerem, ou ajudem a fazer com que o processo de ensino-aprendizagem ocorra de forma mais plena e agradável.

2.      As TICs e a Geografia
            A Geografia como atualmente é ensinada em muitas salas de aulas pelo Brasil e pelo mundo pode parecer na visão de muitos alunos como uma disciplina chata, monótona,  sem utilidades, e  mnemônica (se enganam). Mas essa visão limitada é fruto da forma como ela é ensinada, da grande presença que ainda se tem das Correntes Tradicionais da Ciência geográfica dentro da escola, com aulas ministradas por professores conservadores, muito presos à descrição e exposição verbal de ideias e conceitos e que se esqueceram  de inovar. Maneiras de transmitir e produzir o conhecimento que fizeram com que a Geografia escolar ficasse  muitas vezes distante de seu principal compromisso: a formação cidadã de um individuo crítico e consciente  de sua realidade. Formar um aluno capaz de analisar e julgar o mundo livre de alienação ou domínio é ou deveria ser o ponto alvo dessa disciplina. Mas isso é tema para outro texto.
            A Geografia pode ser muito atrativa quando se é capaz de associa-la com outras áreas que sejam também do interesse dos estudantes, como a Informática.    Em um mundo tão conectado às diversas redes que a tecnologia de informática nos trouxe é impossível  imaginar que as escolas  possam não aderir aos avanços tecnológicos e permaneçam com uma metodologia de ensino arcaica como a atual (não generalizando). Ainda mais que o aluno moderno, está intensamente  conectado às redes e já não  é um mero receptor de conhecimento.  Além do mais a atual dinâmica do mundo Globalizado exige uma mudança de postura da ciência geográfica e também do ensino da Geografia, o que obriga aos professores trilharem os caminhos ditados pelas novas tecnologias para tornarem suas aulas mais atrativas.
            Na compreensão do espaço geográfico se faz necessário apropriar-se de diversos metidos de analise, síntese, etc. e a compreensão de diferentes conceitos, devido à complexidade cada vez maior desse mesmo espaço. E para atingir tal entendimento das informações geográficas é preciso o uso de linguagens que vão além da verbal ou da estatística. Nesse caso as mídias e outros recursos tecnológicos são fundamentais.

As linguagens gráficas possibilitam a aproximação dos estudantes com realidades distantes do seu espaço de vivência – mas que fazem parte do seu imaginário - contribuindo para a compreensão do espaço em diferentes escalas geográficas, principalmente no ensino fundamental, período em que a criança ainda está em fase de organização das noções de espaço. (ALMEIDA, SCARAMELLO, SANTOS, 2009).
            
            São varias as possibilidades de utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação no ensino de Geografia, desde a TV Pendrive, distribuídas pelo Governo do Estado da Bahia nas escolas públicas estaduais, ao computador, principal produto das TICs e que ganha muito destaque devido a sua versatilidade.
            Através de ambos os recursos enriquecer as aulas com a exibição de vídeos, imagens, slides e gráficos que tornam mais lúdicas e atrativas as apresentações de certos conteúdos. Numa aula, por exemplo, que fale de população sempre se recorre ao emprego de gráficos de crescimento vegetativo, pirâmides populacionais etárias que poderiam ser exibidos  e analisados através de slides.
            Porém o computador fornece uma gama ainda maior de recursos, como a os atlas digitais e interativos, os softwares educativos, jogos e simuladores, além de aplicativos de programas de texto, gráficos e apresentações como os aplicativos do Office (Word, Excel e PowerPoint) e a internet. Esta ultima apresenta ainda mais recursos. A citar como exemplos: os sites interativos do IBGE que disponibilizam desde mapas interativos a jogos e banco de dados dos diversos países, Estados e cidades brasileiras; e o Google Earth, que na verdade  é um aplicativo conectado a internet, e que permite visualizar  imagens de satélite, mapas, terrenos, construções em 3D, galáxias no espaço sideral e as profundezas do oceano.
            Outro recurso muito interessante para o ensino de Geografia é a utilização dos atlas digitais. Estes permitem uma interação muito maior com o objeto estudado do que os atlas impressos em papel, pois com eles se é possível fazer sobreposições e manipulações de mapas, conteúdos textuais associados com imagens dos espaços estudados com eficiência e agilidade. 
            Esses são alguns exemplos de aplicação das TICs na compreensão do espaço geográfico, sobretudo a linguagem cartográfica e a espacialidade. O uso desse tipo de tecnologia é importante para tal compreensão no contexto atual  de um mundo globalizado, mas não se trata de esquecer toda a metodologia e, sim, associa-la as TICs, sendo sempre o professor o mediador desse processo.
            Algumas atitudes por parte não só dos educadores como também dos gestores de escolas, seriam responsáveis por grandes mudanças na forma como  se ensina a Geografia atualmente. Porém é valido ressaltar a importância da utilização das TICs na educação seja feita, levando em consideração toda uma abordagem didática pedagógica. Porque a adoção precipitada levar-se-ia ao risco de se aceitar qualquer tipo de tecnologia sem o questionamento de quais seriam as suas implicações ideológicas ou suas repercussões no processo de ensino-aprendizagem. E sobre isso Alfonso Gutiérrez Martín afirma:



Não podemos esquecer que a tecnologia, além de seu aspecto liberador, pode ser também uma das mais poderosas armas de repressão cultural e ideológica; se pode diminuir as diferenças culturais entre os povos, pode também aumentá-las; se possibilita uma comunicação inovadora no ensino capaz de gerar aprendizagens significativas, pode também perpetuar pedagogias autoritárias e unidirecionais.

            Quando pretender desenvolver uma atividade que envolva o uso das TICs é necessário que o educador tenha todo o cuidado e principalmente observe vários aspectos que vão desde em que patamar de desenvolvimento estão os seus alunos ao que se pretende trabalhar e a metodologia mais adequada a ser aplicada.

AMANCIO, Rosilaene dos Santos;  SALVI, Rosana Figueiredo. A utilização da informática educativa no ensino de Geografia. [S.l.: s.n.][20-]. Disponível em < http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/ portals/pde/arquivos/94-4.pdf > Acesso: em 27 ago. 2011

GOOGLE EARTH. Google Earth | Gratuito. Disponível em < http://www.google.com/earth/index.html/>. Acesso: em 28 ago. 2011.

MARTÍN, Alfonso Gutiérrez. Educação e novas tecnologias. Tradução Elício Pontes. [S.l.: s.n.][199-]. Tradução de: Educación y Nuevas Tecnologias. Disponível em < http://www.fe.unb.br/catedra/bibliovirtual/ ead/educacao_e_novas_tecnologias.htm > Acesso: em 26 ago. 2011.

ALMEIDA, Andréia B.; SCARAMELLO, Juliana M.; SANTOS, Gustavo H. dos. Atlas geográfico digital: uma proposta de aplicação no ensino Fundamental. Salvador: Portal de Educação do Exercito Brasileiro, 2009. Disponível em: http://www.ensino.eb.br/artigos/artigo_atlas.pdf. Acesso: em 26 ago. 2011..
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Mapas Interativos do IBGE


IBGE Teen
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